sábado, 28 de novembro de 2009

Novos tempos: educação perdida


Final de ano e os alunos, que passaram o ano perdidos – sem referência ética, cultural e perspectiva de futuro –, fazem o que aprenderam melhor durante todo o percurso: mendigar nota. Passam o ano somente preocupados com este objetivo, ao invés de aproveitarem o tempo para tentar se instruírem e crescerem, não apenas profissionalmente, mas como “gente” – o que significaria, para o Governo, serem cidadãos!
Daí você acaba conhecendo melhor cada um, seus limites, caráter, capacidade de iniciativa ou simplesmente suas fraquezas e poucas habilidades sociais (muita introversão ou extroversão, tudo em seus extremos). Uns são extremamente caras-de-pau, outros já mostram que poderiam ter sido exigidos mais, mas não tinham estímulo para tanto. Inclino-me a concluir, em vista disto, que o fracasso foi meu. Só me pergunto até que ponto.
Mas, há aqueles que não têm jeito mesmo; e ainda reclamam quando esfregamos a realidade e descortinamos as possibilidades de sua vida futura em suas caras: “A impressão é que vocês não aprenderam nada este ano... não sabem julgar com bom senso, pois não se preocuparam com os critérios de teus pensamentos. O resultado: alienação e falta de atitude ponderada.”
A propósito destes tempos, apelidei minha época como “os tempos do extremismo”, onde um tapinha para “fins pedagógicos” nas nádegas significa maus tratos, e o professor ser desacatado e pressionado a explicar o por quê de uma nota baixa a um aluno que não quis fazer a lição é um acontecimento cotidiano.
Ainda sou ingênuo o bastante para entender o meu tempo. Invejo aqueles homens que foram além do seu, sabendo como orientar seus semelhantes e a massa para um futuro nem tão incerto assim. Entretanto, por mais ingênuo que eu seja, não é tão difícil imaginar aonde vamos parar com os valores de hoje, a debilidade social e a falta de consciência e respeito das pessoas.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Novos tempos: educação perdida


Final de ano e os alunos, que passaram o ano perdidos – sem referência ética, cultural e perspectiva de futuro –, fazem o que aprenderam melhor durante todo o percurso: mendigar nota. Passam o ano somente preocupados com este objetivo, ao invés de aproveitarem o tempo para tentar se instruírem e crescerem, não apenas profissionalmente, mas como “gente” – o que significaria, para o Governo, serem cidadãos!
Daí você acaba conhecendo melhor cada um, seus limites, caráter, capacidade de iniciativa ou simplesmente suas fraquezas e poucas habilidades sociais (muita introversão ou extroversão, tudo em seus extremos). Uns são extremamente caras-de-pau, outros já mostram que poderiam ter sido exigidos mais, mas não tinham estímulo para tanto. Concluo, em vista disto, que o fracasso foi meu.
Mas, há aqueles que não têm jeito mesmo; e ainda reclamam quando esfregamos a realidade e descortinamos as possibilidades de sua vida futura em suas caras: “A impressão é que vocês não aprenderam nada este ano... não sabem julgar com bom senso, pois não se preocuparam com os critérios de seus pensamentos. O resultado: alienação e falta de atitude ponderada.”
A propósito destes tempos, apelidei minha época como “os tempos do extremismo”, onde um tapinha para “fins pedagógicos” nas nádegas significa maus tratos, e o professor ser desacatado e pressionado a explicar o porquê de uma nota baixa a um aluno que não quis fazer a lição é um acontecimento cotidiano.
Ainda sou ingênuo o bastante para entender o meu tempo. Invejo aqueles homens que foram além do seu, sabendo como orientar seus semelhantes e a massa para um futuro nem tão incerto assim. Entretanto, por mais ingênuo que eu seja, não é tão difícil imaginar aonde vamos parar com os valores de hoje, a debilidade social e a falta de consciência e respeito das pessoas.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Apagão da Educação


Neste dia 10 de novembro, além de ver cancelada a prova do SARESP - com a grande maioria dos alunos se ausentando por conta disto -, pra piorar a situação, um apagão em plena sala de aula do período noturno! Parece até metáfora para ilustrar como vai o ensino público.
E eu lá, fazendo uso do celular em sala de aula – ora, que ironia –, fui iluminando o diário de classe e dizendo: “...continuando a chamada: o número 6 está? E o 7?”. Tudo isto em meio a alunas histéricas, outros saindo da sala e eu reforçando o papel de organizador: “é apenas um fenômeno físico, minha gente; ou melhor, a falta dele.” Quem dera se tratasse somente disto!
Na semana anterior, com o jogo dos idosos, também não tivemos aulas, e não se falou em reposição destas, como foi o caso da gripe suína. Nada contra os jogos dos idosos, iniciativa mais do que valorosa e respeitosa para com os nossos cidadãos mais experientes e vendendo saúde. Mas, pergunto: agora não é preciso repor?! Muita hipocrisia.
Sem mencionar o fato de que, mesmo as reposições por conta da gripe, muitos alunos não comparecem...e nem dá pra culpá-los por isto. E, só pra mencionar mais uma coisinha, a falha de segurança do ENEM e seu consequente adiamento.
Entre gripes e ENEM cancelado ali, jogos e semana mal planejada por conta da prova do SARESP (que teve que ser adiada, prejudicando o andamento da programação) aqui, bem como apagão de proporções marcianas acolá, vamos capengando neste final de ano.
E sem ainda resolver o problema que, em condições normais, já dá pano pra manga: alunos desinteressados e com atrasos cognitivos sérios, decorrentes de vários fatores, inclusive sócio-econômicos; professores desmotivados e descontentes com o salário e oportunidade de crescimento na carreira e na formação; escolas que fazem o papel de mediadora dos problemas sociais que extrapolam sua alçada; entre inúmeros problemas clássicos da educação.
Com tudo isto, tem até professor que ainda acha ótimo voltar pra casa no escuro. Pois, volta mais cedo pra descansar, ao passo que vê sua rotina quebrada por um dos fenômeno mais antigos do mundo e presente desde que o mundo é mundo: o escuro. E agora, enquanto a gente espera por tudo, nos lancemos agora aos nossos problemas domiciliares então...a geladeira descongelando. E vamos esperando o SARESP à luz das informações desencontradas, ou melhor, no escuro.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Como realizar teus objetivos dependendo dos outros?


Há dias em que nada sai como esperávamos. E, para somar ao desespero, o próprio horóscopo (professor de filosofia lendo o horóscopo?! ¬¬) acaba nos dizendo que hoje será um daqueles dias! Faz a gente pensar nos fundamentos desta adivinhação sem fundamento. Mas, por incrível que pareça, o fato é inegável: a coisa vai mal.
Deixando misticismos de lado, qual seria o motivo principal para as coisas não irem de acordo com o que a gente gostaria que fosse?
Refletindo um pouco sobre o assunto, a princípio, algo indica que o motivo principal dos nossos males cotidianos são os outros. Melhor dizendo, depender do outro para alcançarmos nossos objetivos e, assim, tentar sentir alguma felicidade – se não for plena, pelo menos um lampejo momentâneo dela!
Sempre quando planejamos algo e tentamos executar, nos deparamos com as etapas do processo e com o fato de que somos limitados para cuidar de todas, sem o auxílio de outras pessoas. Daí, logo vem a já conhecida pergunta: até que ponto eu sou livre, se sou dependente do conhecimento e das técnicas alheias? É neste momento que me sinto um ser plenamente social.
Não porque, com a ajuda da razão e do reconhecimento dos meus semelhantes, eu me vejo em cooperação com os da minha espécie (visão otimista de um ser social), mas porque eu sou dependente mesmo deles! Sou parte desta rede de “pedintes” que não consegue dar conta, sozinho, das ações que planeja.
E como o plano e a esperança de sair como você deseja são teus, o empenho das outras pessoas que te prestam serviço não será o mesmo, portanto, frustrando o projeto, que acaba saindo “quase” aquilo que você queria. E se você não se utiliza dos outros para, assim, não frustrar teus planos e sair do jeito que você quer, acaba se frustrando por não ser capaz de conseguir realizar teus planos sozinho.
Assim, se você não for o Magaiver, todo projeto, dentro desta lógica, já estará frustrado de antemão. Logo, para a frustração de todos (ainda mais daqueles que sonham em mudar o mundo), “dá vontade” de concluir que é melhor idealizar do que agir. É por isto que todo idealista é feliz, ou seja, ingênuo.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Professor ganha na loteria? Pelas leis do cosmos, parece que não!

Mais um sábado chegando, e a gente catando moeda para ver se completa 2 (dois) reais. Pois é dia de fazer uma fezinha na loteria! Quem sabe não tiro o pé da lama e o meu sarcasmo dá lugar à bondade? Pelo menos uma vez por semana, já que de quarta-feira, também dia de resultado da mega sena, a consciência pesa de pensar em gastar...

E refletindo sobre as possibilidades de se ganhar na loteria, sobre os critérios a serem levados em conta e tudo mais, percebi que, para o professor, é mais difícil acertar os números da felicidade plena do que as demais pessoas deste Brasil.

Como sempre, explico – só não sei se justifico: para muitas pessoas, caro leitor, além de não estarmos aqui por acaso, a divina providência também teria nos reservado destinos e carmas a pagar aqui nesta terrinha. Pensando como esta maioria, logo compreendo o porquê que não ganho nem rifa de pamonha. Não teria me enveredado para a carreira de professor à toa, senão por desígnio divino, diriam. Assim, como professor, pago e tenho que continuar pagando todos os meus pecados até o dia do juízo final, onde, talvez, eu seja perdoado.

Desta forma, teria eu alguma sorte ou esperanças de ser tirado do purgatório pela fortuna que a loteria nos proporciona? Infelizmente, a resposta é categórica e risível (pra que eu não comece a chorar de vez): não! Fico somente no plano gostoso de comprar uma coisinha ali, construir uma casinha aqui e conhecer o mundão, sem falar bem nem o português.

Se há alguém que conhece um professor de Ensino Médio da escola pública que ganhou na loteria, relate, manifeste-se, brinde-nos com a esperança de eu estar, mais uma vez, equivocado!

Trabalho-crônica: testando o humor e a paciência do leitor

SUMÁRIO

Introdução: como eu sou lindo!
Como continuar sendo lindo
Mas e quando a idade chega?
Considerações finais
Referências


Introdução: como eu sou lindo!


Nossa! Hoje eu me deparei com a minha beleza, tanto do meu íntimo até a minha mais chata ruga. De fato, ela faz parte de mim, por isso eu a amo com todas as minhas forças capilares de Sansão.

Como continuar sendo lindo


Existem algumas dicas: durma mais do que viva. Fale mal do seu chefe, se for preciso. Se você não é tão ousado assim, ou simplesmente preocupado com a vida útil de seu emprego, ofenda o subordinado com palavrões que “encham a boca”, desde que não caracterize assédio moral ou preconceito de alguma espécie (mesmo que isto fosse possível, hoje em dia quase tudo é um assédio...Será que ser proibido de assediar também é um assédio?).
Se você tem algum dinheiro, não basta somente fazer cirurgia plástica, caro leitor; viaje também! Parece que somos seres nômades, em certa medida. Não tem teoria. O fato é que tem gente que se sente bem vendo como outras partes do mundo se dão tão mal quanto você.
Não se preocupe com a barriga de chope, ela é necessária e estabelece a relação inversa para com tuas rugas. Quanto mais barriga de chope, menos rugas.
Explico: pelo menos eu – este texto não pretende demonstrar nada universal e necessário mesmo –, não fico triste numa mesa de bar, bebendo, comendo e parolando com meus amigos. Isto é o paraíso – e tem gente que acha que os demônios pairam por sobre os “bebeuntes”.
E quando a gente nem espera e nem acha que pode ficar melhor – não estou falando de ver paga a conta por outrem, por mais que isso, certamente, melhora a brincadeira toda, não é mesmo! –, vem um bilhetinho da mesa ao lado, dizendo o quanto você é interessante. Se for uma piada, vale a risada, caso você seja daqueles que aceitam o deboche de teus próprios defeitos. Se for com uma intenção legítima (lembre-se: você está no bar, leitor; logo, é provável que o “embelezador” está sendo tomado), não deixe de duvidar, por mais que você, realmente, esteja se achando lindo de viver.

Mas e quando a idade chega?

Bem, neste caso, não adianta chorar. Finja que ela não chegou, ou que a gente não amadurece, ou que o tempo não passa. Todo mundo tem um pouco da síndrome de Peter Pan. Mas, a realidade está aí pra quem quiser ver. Se for pra envelhecer, que faça isso com estilo, curtindo cada momento. Vai parecer, com teu “esquecimento”, que o corpo também esquecerá. As rugas não sabem contar o tempo, por mais que certa quantidade de rugas o indique gradualmente, como os anéis de uma palmeira centenária.
Acredito que o grande segredo é rir bastante, mas com vontade. Procure fazer o que você realmente gosta também. Não confunda isso com ascetismo, pois tem aqueles que acham que ser pobre compensa se for fazer o que gosta. Acorda! Vê se goste de algo que te traga comida na mesa e pague tuas contas! E não esqueça: durma gostosamente.

Considerações finais

Toda esta reflexão não passou de devaneio momentâneo, sem pretensão doutrinária ou contribuição para o conjunto do conhecimento humano. Pelo menos, me diverti... Uma ruga a menos.

Referências

______. E precisa ter referência pra dizer bobagens?! Responsabilizo-me por tudo. 2009.

Novo vídeo do MEC sobre a “valorização” do professor!



Achei bem moderninho o novo vídeo sobre o professor. Afinal, é sempre gostoso ver imagens de outros países, ainda mais quando tudo é bonito de se ver, mostrando as maravilhas do desenvolvimento. No vídeo, queriam saber qual era o responsável por tudo isto (e tudo me soou como se quisessem achar, numa sociedade, uma única pessoa que seria responsável por resolver os problemas de todos; um herói), perguntou-se: “Qual é [...] o profissional responsável pelo desenvolvimento?” A resposta triunfante: “Der Lehrer” (no alemão), “El maestro” (no espanhol), “The teacher” (no inglês) – enfim, teve até em coreano! Nem preciso dizer do que se trata; preciso?
Bem...que o professor deve ser valorizado, todo mundo sabe. E é óbvio que os países mostrados - todos do chamado "primeiro mundo" - valorizam o professor, garantindo condições ideais de trabalho na mesma medida do projeto de país que estas nações têm (a Finlândia é um exemplo).
Ou seja, professor com plano de carreira condizente com sua importância, não o expondo à tarefa impossível de ser, não só o facilitador do conhecimento, mas também "psicólogo", "babá", "advogado" e até "parteira" (basta entrar numa sala de aula brasileira para entender o sentido mais denotativo do que metafórico do que estou falando)!
A sociedade vai mal e os reflexos, como numa ressaca dos mares, repercutem na escola, onde se vê de tudo e se submete a tudo. A burocracia manda e ameaça, e a valorização do professor fica a cargo de números que qualquer cidadão de bom senso percebe não depender só do trabalho do professor, e sim do "conjunto da obra" (conformidade entre lei e realidade, conscientização pelos meios de comunicação de massa, justiça social não assistencialista etc.) - e isto eu entendo que se resolve, a princípio, com a política, com a vocação para o bem público, com um projeto que entenda o professor como parte essencial e não apenas um instrumento secundário de lapidação dos nossos “alunos-diamantes” (o material natural mais resistente que se conhece).
Na verdade, o aluno não é o grande culpado (reclamação de professores); e o professor tampouco (para surpresa de alunos). Há de se pensar muito a tarefa do educador nos tempos de hoje - que, obviamente, não se compara ao contexto destes países que estão no vídeo, ora bolas!
No Estado de São Paulo, por mais que se tenha investimento em "Cadernos do aluno", que, muitas vezes e não só na minha opinião, apenas servem como orientação básica (e pensando no sentido de uniformizar o programa em todo Estado, digo que o esforço é até válido), vemos a tarefa insana do professor para atingir metas e atender políticas que desvalorizam, de forma bem pensada (frisa-se), a carreira do professor, num sistema caótico e aporético que tende – entre um “funk” aqui, “calipsos” acolá e games bem ali nos celulares de toda classe – ao colapso educacional, num prazo mais apertado do que gostaríamos, proporcional ao ritmo frenético do sistema econômico e do esgotamento dos recursos naturais do planeta e da produção...do lixo, quero dizer.
Os professores do Brasil (pelo menos me refiro aos paulistas) não jogam a toalha por várias circunstâncias, mas não porque a maioria tenha esperanças de que as coisas mudem, ainda mais sem luta – professor ingênuo?! Estou deixando de ser idealista, e isto está me incomodando.
E para aqueles que dizem que o problema é por falta de vocação (será?!), ver aqueles mestres no final da carreira dizer "Não vejo a hora de me aposentar" ou "você ainda é jovem, procure algo melhor", já basta para mostrar que nosso país ainda está longe de valorizar o professor. Por enquanto, a propaganda apenas tenta maquiar uma realidade que não condiz com o Brasil (querem contrariar os fatos e fazer o professor aceitar sua situação?) e revela o receio e a consciência deste Ministério de que é preciso persuadir aqueles que até têm vocação, mas não se arriscam mais numa das profissões mais em baixa do país.


Por Cássio de Fernando Silva